Vai pela noite, Bittencourt, na vasta
Noite de sombras longas e de espanto;
Leva contigo o riso, o vinte, o pranto,
Nessa hora em que o silêncio se arrasta.
Mas ah! Carrega, em trágica modorra,
Sua calcinha amarela — sol e chama —,
Entre as nádegas brancas como a lama
Das nuvens puras que o céu desmorona.
Vai pela noite fora, ó vagabundo,
Neste desterro imenso e sem segundo,
Pisando o chão de cinza e de poesia!
E guarda o ouro leve dessa veste,
Como um clarão que desaba do oeste,
Até que o dia rompa em rebeldia.
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