domingo, 20 de setembro de 2026

As Preces Antigas nos Bosques Silenciosos


Nos bosques onde a folhagem guarda

o pó dos séculos e o mofo do tempo,

ficam as preces antigas.

Não têm dono, nem santo, nem altar de mármore;

são apenas murmúrios presos na casca dos carvalhos.


O homem passou por ali com sua pressa de ferro,

esqueceu o nome dos deuses,

esqueceu a cor do fogo e a culpa dos ancestrais.

Mas a prece continua,

entalada na seiva,

pendurada nos galhos secos que estalam ao vento.


E o bosque silencia.

Um silêncio grosso, de terra úmida e raiz,

que pesa nos ombros de quem o atravessa.

Sente-se o sopro de eras pretéritas,

quando se pedia chuva, pão ou esquecimento,

e a terra respondia com o mesmo eco vazio.


No meio da clareira,

onde a luz do sol rasga a folhagem em lâminas de ouro velho,

a prece antiga repousa,

orfã de boca,

aguardando o dia em que o mundo, cansado de barulho,

volte a ajoelhar-se na grama

e aprenda, enfim, a calar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário