Nos bosques onde a folhagem guarda
o pó dos séculos e o mofo do tempo,
ficam as preces antigas.
Não têm dono, nem santo, nem altar de mármore;
são apenas murmúrios presos na casca dos carvalhos.
O homem passou por ali com sua pressa de ferro,
esqueceu o nome dos deuses,
esqueceu a cor do fogo e a culpa dos ancestrais.
Mas a prece continua,
entalada na seiva,
pendurada nos galhos secos que estalam ao vento.
E o bosque silencia.
Um silêncio grosso, de terra úmida e raiz,
que pesa nos ombros de quem o atravessa.
Sente-se o sopro de eras pretéritas,
quando se pedia chuva, pão ou esquecimento,
e a terra respondia com o mesmo eco vazio.
No meio da clareira,
onde a luz do sol rasga a folhagem em lâminas de ouro velho,
a prece antiga repousa,
orfã de boca,
aguardando o dia em que o mundo, cansado de barulho,
volte a ajoelhar-se na grama
e aprenda, enfim, a calar.
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