No beco estreito onde a noite se afunila,
lá vai a mulher de tromba,
soberana e trágica na sua armadura de carne.
Carrega o mundo nos quadris,
carrega o espanto dos homens comuns
e a fúria muda do asfalto.
O beco ferve em mofo e urina,
mas ela caminha como quem pisa em tapetes de veludo.
A tromba erguida — estandarte de bicho e mito —
desafia a geometria estreita da província.
E no miolo da treva,
quando o tempo estanca e o ar se coalha,
dá-se o milagre cru da carne:
ela goza.
Goza com a força de um rio soterrado,
com o estrondo de uma mina que desaba,
fazendo o beco inteiro tremer
na sua espasmo de pura soberania.
Não há poesia que alcance esse abismo,
apenas o eco do gozo que rasga a noite
e deixa o mundo inteiro mudo
diante daquela mulher que desfaz o universo
com o simples tremor do seu prazer.
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