segunda-feira, 21 de setembro de 2026

A Lira do Silêncio Coletivo

para José Saramago

Onde está aquele grito, que passou, 

E se foi, entre o povo brasileiro, solidão apenas...

Caminham os passos pelas ruas de paralelepípedo incerto,

Entre a poeira e o asfalto, no grande deserto

De uma pátria que se inventa e se desfaz.

Perguntam as mãos calejadas,

As bocas secas de esperança vã,

Onde foi parar a voz que rasgava a manhã?

Restou apenas o eco nas calçadas,

O silêncio denso que pesa nos ombros,

Enquanto a história recolhe os escombros.

Solidão de multitudes que se cruzam sem se ver,

No vasto tecido de uma terra sem porto,

Onde o grito de ontem parece tão morto

Quanto a ilusão que teima em não morrer.

E o povo segue, mudo e peregrino,

Carregando o fardo do próprio destino.

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