Crematório das Águas.
A lua se desfaz em sal,
uma fatia de pão escuro nas fauces do mar.
Negro é o oceano.
Cinco dedos de tormento se estendem na inundação.
Ela se vai.
Entre as estrelas da tristeza,
uma após a outra, as constelações da convulsão.
Sem leme.
Apenas a balança da noite,
o silêncio se estilhaça contra a quilha.
Você canta o suspiro que afunda:
a lua sangra em cinzas,
a lua se vai,
morta e branca,
no ventre do abismo.
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