domingo, 20 de setembro de 2026

Cinzas da Lua


Crematório das Águas.

A lua se desfaz em sal,

uma fatia de pão escuro nas fauces do mar.

Negro é o oceano.

Cinco dedos de tormento se estendem na inundação.


Ela se vai.

Entre as estrelas da tristeza,

uma após a outra, as constelações da convulsão.

Sem leme.


Apenas a balança da noite,

o silêncio se estilhaça contra a quilha.

Você canta o suspiro que afunda:

a lua sangra em cinzas,

a lua se vai,


morta e branca,

no ventre do abismo.

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