domingo, 20 de setembro de 2026

O Mármore e a Bruma


Ó visão de esmeralda e de pavor,

No trágico silêncio da aragem fria!

Olhos verdes, clarão de agonia,

Onde a alma chora um pálido esplendor.


Cabelos lisos, treva em desamor,

Que em torrentes nos ombros derramava;

Pele cafusa, o bronze que sangrava

No altar oculto de um sacro torpor.


E os peitos firmes, de finos cones,

Erguendo ao céu viscerais blasones,

Como castanheiras de estirpe ereta,


Linheiras, fortes, que o tempo não dobra,

Na altiva estátua que a dor desdobra,

Indômita e nua na luz de um poeta!

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