Na densa neblina, onde o asfalto é cinza e frio,
uma coruja pisca com um olho morto, âmbar,
e dilacera o próprio corpo em penas negras,
para dar à luz um anjo e um vazio imensurável.
O bico torna-se um lábio, o grito pleno e vazio
dá lugar à voz que traz à luz o jardim da tristeza;
A mulher ergue-se nua sobre o porto,
e o mundo estremece, escravizado por sua luxúria.
"O tempo é cinza, o homem um espírito ardente,
o mar consome a última esperança e a casa",
profetiza a boca que abarca o abismo.
E antes que o grito se dissipe em meu espanto,
ela mergulha, na escuridão e em doce pranto,
em meu peito escuro, em brasas e seiva.
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