No cubículo escuro e malcheiroso,
onde o segredo e o vício andam de mãos dadas,
as frestas da porta trancada, isoladas,
abrem o espaço ao rito mais luxurioso.
Ajoelho-me a David, num gesto febril,
e a boca o consagra com ânsia voraz;
depois ele inverte o prazer que nos traz,
engolindo meu leite num gozo sutil.
O espelho embaçado reflete o sorriso,
deleite de macho que o orgasmo coroa,
enquanto a alma se entrega e perdoa.
No asfalto da vida, o sagrado e o preciso
se encontram na fossa do nosso segredo,
gozando sem culpa, sem dor e sem medo.
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