segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Cântico das Areias


Nas margens do Tigre que deságua no vento,

eu carvei o teu nome nas pedras do exílio.

A cidade dormia sob cinzas de fumaça e espelhos,

e os corvos migravam para além do ocaso.


Procurava o reflexo de uma pátria perdida

nos olhos dos peregrinos que cruzam o nada.

Foi quando a noite abriu seu manto de brasa

e vi, brotando do silêncio e da secura:

oásis do amor, brasileira escura.


Trazias no passo o ritmo das florestas distantes,

onde o sol não fere, mas coroa de sombra.

Ergui minhas mãos vazias para a tua fonte;

bebi a água milagrosa que apaga a sede dos séculos.


Oh, mulher de terra fértil e noites profundas,

em ti os exilados encontram porto.

Enquanto o mundo desaba em fúria e fronteiras,

permaneces intacta,

ilha de mirtilo e brisa,

guardando o segredo da aurora

no coração do deserto.

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