Nas margens do Tigre que deságua no vento,
eu carvei o teu nome nas pedras do exílio.
A cidade dormia sob cinzas de fumaça e espelhos,
e os corvos migravam para além do ocaso.
Procurava o reflexo de uma pátria perdida
nos olhos dos peregrinos que cruzam o nada.
Foi quando a noite abriu seu manto de brasa
e vi, brotando do silêncio e da secura:
oásis do amor, brasileira escura.
Trazias no passo o ritmo das florestas distantes,
onde o sol não fere, mas coroa de sombra.
Ergui minhas mãos vazias para a tua fonte;
bebi a água milagrosa que apaga a sede dos séculos.
Oh, mulher de terra fértil e noites profundas,
em ti os exilados encontram porto.
Enquanto o mundo desaba em fúria e fronteiras,
permaneces intacta,
ilha de mirtilo e brisa,
guardando o segredo da aurora
no coração do deserto.
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