À sombra colossal de um pneu de rodagem,
Onde a poeira e o asfalto fingem uma paragem,
Vi-vos, ó alma errante, em negra cabeleira,
No áspero mistério de uma hora passageira.
Houve ali um deleite, entre a graxa e o espanto,
Um misto de pecado, de volúpia e de pranto;
E vós dissestes, rindo à luz do sol minguante:
"Até breve, meu bem", com graça de baccante.
Mas o tempo, esse mestre em ironias finas,
Que apaga as pegadas e desmancha as rotinas,
Levou-vos no rodado daquela velha estrada.
E desde então, na vida, o que me resta e sobra
É a vã recordação dessa fugaz sombra,
Uma promessa vã... e a solidão calada.
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