quinta-feira, 26 de março de 2026

O Prado de Sombras

 O Prado de Sombras

Para fazer um prado, basta um trevo e uma abelha,

um trevo, uma abelha — e a vã fantasia de que o verde é eterno e o mel não sangra.


Onde o trevo repousa, ponho o meu flanco,

e espero que a abelha me ensine o voo

ou o ferrão que punge a carcaça do dia.

Não basta o inseto, nem a flor que se espalha,

é preciso o espanto, a fome, a navalha

de saber que o prado é apenas... vazio.


Tece-me, pois, o prado na palma da mão,

entre o bicho, a erva e a minha solidão.


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