O Prado de Sombras
Para fazer um prado, basta um trevo e uma abelha,
um trevo, uma abelha — e a vã fantasia de que o verde é eterno e o mel não sangra.
Onde o trevo repousa, ponho o meu flanco,
e espero que a abelha me ensine o voo
ou o ferrão que punge a carcaça do dia.
Não basta o inseto, nem a flor que se espalha,
é preciso o espanto, a fome, a navalha
de saber que o prado é apenas... vazio.
Tece-me, pois, o prado na palma da mão,
entre o bicho, a erva e a minha solidão.
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