A Alquimia da Memória
O fósforo da memória risca o ventre das nuvens,
revelando o segredo das estátuas que respiram.
Ali, no epicentro de um olho de vidro,
repousam sobre o sal, beijos e adeuses,
como âncoras de seda lançadas ao mar de mercúrio.
Tudo é magnetismo,
até o grito do horizonte que se dobra em dois.
A Geografia do Relâmpago
O relógio de ponto marca a hora do orvalho elétrico.
Na planície da manhã, onde as facas se curvam como amantes,
uma constelação de xícaras devora o horizonte.
Tudo é magnetismo e espuma.
Eis que surge, sobre a toalha de linho que se dissolve em fumaça,
o café na mesa, os beijos de leite na chuva de nossos amores,
onde o mundo se reconcilia no pacto absurdo e luminoso
do nosso amor sereno de cachorro e pomba.
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