Diagnóstico de Voo n.º 26
1.
No centro do mapa, um coração de gesso pulsa 0 vezes por segundo.
O Brasil é uma sala fechada sem teto.
Asas abertas? Não. São as arestas de um triângulo que esqueceu como se fecha.
Um cor sul americano pigmentado com o suor de quem corre em círculos.
2.
O urubu belo pousa no parapeito do meu desespero.
Ele não voa; ele mergulha no vácuo entre o "eu" e o "espelho".
O urubu é o único que entende a aritmética das carcaças.
1 + 1 = Uma sombra devorando a outra.
3.
A anatomia da pátria é uma linha reta que entortou de cansaço.
O sol é um olho de vidro vigiando a selva de concreto.
As penas do pássaro negro são feitas de papel carbono.
Eu escrevo "Liberdade" e o papel queima.
Eu escrevo "Sul" e a bússola vomita.
4.
Brasil: um espetáculo de geometria interrompida.
Onde a asa termina, começa o abismo.
Onde o belo termina, o urubu sorri.
(O relógio marca treze horas em um mostrador de apenas doze).
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