O Silêncio no Grão
O cinzel parou, mas a alma continua o cerco,
diante daquela escultura feminina que
não pede voz, nem reclama o berço,
mas ergue-se em sua imobilidade divina.
É feita da pedra eslava do coração,
fria como o inverno que desce do Drina,
dura como a história gravada no chão,
mas leve como a névoa que a tarde domina.
Ali, o destino não corre, repousa;
um peso antigo que a forma sustenta.
Pois toda beleza é uma ponte que ousa
unir o que morre ao que a rocha acalenta.
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