quinta-feira, 26 de março de 2026

O Silêncio no Grão

 

O Silêncio no Grão

O cinzel parou, mas a alma continua o cerco,

diante daquela escultura feminina que 

não pede voz, nem reclama o berço,

mas ergue-se em sua imobilidade divina.

É feita da pedra eslava do coração,

fria como o inverno que desce do Drina,

dura como a história gravada no chão,

mas leve como a névoa que a tarde domina.

Ali, o destino não corre, repousa;

um peso antigo que a forma sustenta.

Pois toda beleza é uma ponte que ousa

unir o que morre ao que a rocha acalenta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário