quinta-feira, 26 de março de 2026

O Pântano das Lembranças

O Pântano das Lembranças

Enfunam-se os peitos,

Num coro de dor.

Gritam os sujeitos:

— "Amai o amor!"


O sapo-cururu,

De gola e de fraque,

Diz: "O mundo é cru,

Não há quem não baque."


Mas um sapo feio,

No canto do rio,

Soltou um meneio,

Um verso vazio:


"Ela foi o beijo

Mais doce que eu tive,

No fogo do ensejo

Onde a alma vive."


"Morri de suor!

Morri de lavar!"

O coro, em redor,

Pôs-se a gargalhar.


O sapo-tanoeiro,

Com voz de latão:

— "És muito brejeiro,

Não tens precisão!"


Mas ele, obstinado,

Em transe ou loucura,

Cantava o passado,

A febre, a tortura.


"Morri de lavar,

De fogo e suor...

Pois quem sabe amar,

Não sabe o que é pior."

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