O Pântano das Lembranças
Enfunam-se os peitos,
Num coro de dor.
Gritam os sujeitos:
— "Amai o amor!"
O sapo-cururu,
De gola e de fraque,
Diz: "O mundo é cru,
Não há quem não baque."
Mas um sapo feio,
No canto do rio,
Soltou um meneio,
Um verso vazio:
"Ela foi o beijo
Mais doce que eu tive,
No fogo do ensejo
Onde a alma vive."
"Morri de suor!
Morri de lavar!"
O coro, em redor,
Pôs-se a gargalhar.
O sapo-tanoeiro,
Com voz de latão:
— "És muito brejeiro,
Não tens precisão!"
Mas ele, obstinado,
Em transe ou loucura,
Cantava o passado,
A febre, a tortura.
"Morri de lavar,
De fogo e suor...
Pois quem sabe amar,
Não sabe o que é pior."
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