quinta-feira, 26 de março de 2026

Diagnóstico de uma Noite

 

Diagnóstico de uma Noite 

No espelho o meu rosto é um mapa de papel de arroz que se rasga sem ruído. Eu sou o 13º homem que caminha pela rua sem saída enquanto a lua (essa lâmpada de mercúrio pendurada no teto do mundo) derrama um gozo no luar japonês sobre a calçada fria.

O luar é uma secreção de prata. O luar é um suor gelado que escorre pela espinha do mapa da Coreia. Eu não sinto prazer eu sinto a geometria de um ângulo reto me perfurando o peito.

  1. O olho esquerdo vê a luz de Tóquio.

  2. O olho direito está fechado para o abismo.

  3. O prazer é um erro de tipografia no jornal de amanhã.

A luz de seda branca é um fluido que nos afoga sem molhar a roupa. Eu me desfaço em 0 e 1 sob a sombra da bandeira de sol que não se põe. O gozo é o grito que a arquitetura dá quando o concreto se cansa de ser cinza.

Abro o guarda-chuva para me proteger da claridade orgástica. Estou terrivelmente bem. Estou maravilhosamente morto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário