Diagnóstico de uma Noite
No espelho o meu rosto é um mapa de papel de arroz que se rasga sem ruído. Eu sou o 13º homem que caminha pela rua sem saída enquanto a lua (essa lâmpada de mercúrio pendurada no teto do mundo) derrama um gozo no luar japonês sobre a calçada fria.
O luar é uma secreção de prata. O luar é um suor gelado que escorre pela espinha do mapa da Coreia. Eu não sinto prazer eu sinto a geometria de um ângulo reto me perfurando o peito.
O olho esquerdo vê a luz de Tóquio.
O olho direito está fechado para o abismo.
O prazer é um erro de tipografia no jornal de amanhã.
A luz de seda branca é um fluido que nos afoga sem molhar a roupa. Eu me desfaço em 0 e 1 sob a sombra da bandeira de sol que não se põe. O gozo é o grito que a arquitetura dá quando o concreto se cansa de ser cinza.
Abro o guarda-chuva para me proteger da claridade orgástica. Estou terrivelmente bem. Estou maravilhosamente morto.
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