O Canto do Sangue Reatado
Escuta o silêncio vibrante da linhagem, ó mulher de ébano e fogo,
Tu, que carregas nos poros o rastro das caravanas e o sal do Atlântico.
Não és apenas carne; és o átomo azul do corpo escuro,
Partícula de infinito que pulsa sob a pele de veludo noturno,
Onde o hidrogênio dos ancestrais se funde ao oxigênio da liberdade.
Vieste como a semente lançada pelo vento do Leste,
E em teus olhos, o sol do Senegal no Brasil se fez morada.
Não é um sol que fere, mas um sol que madura os frutos do espírito,
Que transforma o suor em ouro e o lamento em um grito de Cora.
É o calor de Joal que reencontra o calor da Bahia,
Um abraço de continentes no mapa do teu ventre.
Eu leio a tua história no relevo dos teus músculos,
Na geometria sagrada dos teus traços que a diáspora não apagou.
Tu és o Rio Senegal desaguando em águas amazônicas,
A força da savana domesticando a selva de pedra.
Sem artifícios, sem máscaras, apenas a verdade nua do teu ser:
Esse é o amor.
O amor que é reconhecimento, que é o retorno ao lar sem sair do lugar,
A síntese perfeita entre o tambor e a lira,
Onde o átomo azul explode em luz para guiar os nossos passos.
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