sexta-feira, 27 de março de 2026

O Canto do Sangue Reatado

 O Canto do Sangue Reatado

Escuta o silêncio vibrante da linhagem, ó mulher de ébano e fogo,

Tu, que carregas nos poros o rastro das caravanas e o sal do Atlântico.

Não és apenas carne; és o átomo azul do corpo escuro,

Partícula de infinito que pulsa sob a pele de veludo noturno,

Onde o hidrogênio dos ancestrais se funde ao oxigênio da liberdade.

Vieste como a semente lançada pelo vento do Leste,

E em teus olhos, o sol do Senegal no Brasil se fez morada.

Não é um sol que fere, mas um sol que madura os frutos do espírito,

Que transforma o suor em ouro e o lamento em um grito de Cora.

É o calor de Joal que reencontra o calor da Bahia,

Um abraço de continentes no mapa do teu ventre.

Eu leio a tua história no relevo dos teus músculos,

Na geometria sagrada dos teus traços que a diáspora não apagou.

Tu és o Rio Senegal desaguando em águas amazônicas,

A força da savana domesticando a selva de pedra.

Sem artifícios, sem máscaras, apenas a verdade nua do teu ser:

Esse é o amor.

O amor que é reconhecimento, que é o retorno ao lar sem sair do lugar,

A síntese perfeita entre o tambor e a lira,

Onde o átomo azul explode em luz para guiar os nossos passos.



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