Liturgia da Substância Absoluta
E vós, retóricos do alvor e mercadores de pálidas luzes, que sabeis vós da verdadeira Noite, aquela que não é sombra, mas o peso do diamante primordial?
Eu invoco a memória do Simbolista, aquele que entre os desterrados buscava o marfim e o lírio; pois se Cruz e Sousa tinha do branco a obsessão e o fascínio, eu proclamo aqui a soberania do ébano e o império da densidade. Eu celebro a cor preta, não como luto, mas como o magma que sustenta as constelações.
Escutai o decreto da minha linhagem: o preto negro sedução minha dessa cor pura mais bela e a mais pura. Ela é o veludo onde o ouro das estrelas se funde, o abismo que não devora, mas germina. É a cor do espaço cosmos curvos expandido, a curvatura infinita onde a luz se curva para adorar a sua própria origem.
Não busqueis o Eterno nas nuvens de gesso ou no brilho efêmero do meio-dia. Ele habita o centro do carvão e a profundeza da pupila. Pois o Preto é a ação da vida do Eterno Hashem, o Nome que se escreve com o fogo escuro sobre o pergaminho da eternidade, a treva sagrada que precede o Verbo e que, sozinha, contém todas as cores do mundo em seu silêncio absoluto.
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