Invocação ao Gosto e à Ausência
Não, meu amor, não me esqueça.
Que tua memória seja
o cárcere onde minha carne,
em brasa, se aquiete. Não me
deixe perder o contorno
de mim mesmo no vão da tua falta.
Nem por um instante,
pois neles habitam a eternidade
e a morte.
Nem me queira mais
que isso — esta
forma que me forma,
esta certeza de que existo apenas enquanto
teus olhos me inventam.
Não me deixes gozar, segura o
abismo no limite
da luz,
adia o fim, a pequena morte, para que eu
continue sendo, desesperadamente, teu amante.
Não me deixe. Estou
vivo. Inventa-me.
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