quinta-feira, 26 de março de 2026

Invocação ao Gosto e à Ausência

 




Invocação ao Gosto e à Ausência

Não, meu amor, não me esqueça. 

Que tua memória seja 

o cárcere onde minha carne,

 em brasa, se aquiete. Não me

 deixe perder o contorno 

de mim mesmo no vão da tua falta.

  Nem por um instante,

pois neles habitam a eternidade

 e a morte.

Nem me queira mais

 que isso — esta 

forma que me forma,

 esta certeza de que existo apenas enquanto

 teus olhos me inventam.

Não me deixes gozar, segura o

 abismo no limite 

da luz, 

adia o fim, a pequena morte, para que eu 

continue sendo, desesperadamente, teu amante.

Não me deixe. Estou

 vivo. Inventa-me.



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