quinta-feira, 26 de março de 2026

O Cinema das Sombras Internas

 O Cinema das Sombras Internas

As constelações de vidro quebram-se no assoalho.

Anjos de gesso vigiam o cansaço do operário

enquanto a dor, esse bicho de sete cabeças,

instala-se no esterno como um inquilino que não paga o aluguel.


O mundo é uma vitrine de desastres líricos.

Prefiro a geometria do delírio,

o traço que não sangra, o papel que não morre.

Suspendo o juízo entre o átomo e o infinito:


Com a dor nesse peito

prefiro assistir porno hentai.


As cores chapadas vencem a carne frouxa.

O desejo é um desenho de nanquim e luz

no vácuo da existência projetada.

Não há pecado na linha que se curva,

apenas o repouso do homem

diante da imagem que não lhe pede o coração.

Nenhum comentário:

Postar um comentário