O Cinema das Sombras Internas
As constelações de vidro quebram-se no assoalho.
Anjos de gesso vigiam o cansaço do operário
enquanto a dor, esse bicho de sete cabeças,
instala-se no esterno como um inquilino que não paga o aluguel.
O mundo é uma vitrine de desastres líricos.
Prefiro a geometria do delírio,
o traço que não sangra, o papel que não morre.
Suspendo o juízo entre o átomo e o infinito:
Com a dor nesse peito
prefiro assistir porno hentai.
As cores chapadas vencem a carne frouxa.
O desejo é um desenho de nanquim e luz
no vácuo da existência projetada.
Não há pecado na linha que se curva,
apenas o repouso do homem
diante da imagem que não lhe pede o coração.
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