quinta-feira, 19 de março de 2026

A Invenção do Teu Nome

Não te busco no mundo das formas,

nem no espelho que o dia te deu;


quero a tua verdade sem normas,

o que resta de ti e é só meu.


Africana travesti de cabelos vermelhos,

és o fogo que o olhar não consome,


para além desses vãos aparelhos

em que o tempo te inventa um nome.


Tiro as roupas da tua memória,

despindo a cor, a carne e a história,


até achar, no teu centro mais fundo,

a luz que sustenta o meu mundo.


És a pomba do meu sol esquecido,

voando em silêncio por dentro de mim,


num céu que não pode ser medido,

sem margem, sem porto e sem fim.


Não te quero de carne ou de fato,

quero o "tu" que escapa ao contato,


essa chama de púrpura e de vento

que nasce do meu pensamento.


Fica em mim, na pureza do traço,

sem o peso de um tempo ou de um passo,


pois amar-te é perder o caminho

e encontrar-te no meu desalinho.

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