Não te busco no mundo das formas,
nem no espelho que o dia te deu;
quero a tua verdade sem normas,
o que resta de ti e é só meu.
Africana travesti de cabelos vermelhos,
és o fogo que o olhar não consome,
para além desses vãos aparelhos
em que o tempo te inventa um nome.
Tiro as roupas da tua memória,
despindo a cor, a carne e a história,
até achar, no teu centro mais fundo,
a luz que sustenta o meu mundo.
És a pomba do meu sol esquecido,
voando em silêncio por dentro de mim,
num céu que não pode ser medido,
sem margem, sem porto e sem fim.
Não te quero de carne ou de fato,
quero o "tu" que escapa ao contato,
essa chama de púrpura e de vento
que nasce do meu pensamento.
Fica em mim, na pureza do traço,
sem o peso de um tempo ou de um passo,
pois amar-te é perder o caminho
e encontrar-te no meu desalinho.
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