O Templo de Sombras
Entre muros de frio e de memória,
Busco a luz que na infância se perdeu;
Inquietações religiosas, vã glória,
De um deus que cala o que o peito sofreu.
Não há altar que cure este abandono,
Nem prece que desfaça o desencanto;
A vida é um outono sem outono,
Onde o silêncio ocupa todo o canto.
Ó exílio do amor ferido, que segredo
Guardas na cinza de um beijo esquecido?
Viver é este caminhar com medo,
Por um jardim de sonho já partido.
Fica a saudade de um corpo, de um instante,
Como um rastro de sol no mar deserto;
Sou, da minha própria vida, o vigilante,
Sempre longe de tudo o que está perto.
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