quinta-feira, 19 de março de 2026

O Templo de Sombras

 O Templo de Sombras

Entre muros de frio e de memória,

Busco a luz que na infância se perdeu;

Inquietações religiosas, vã glória,

De um deus que cala o que o peito sofreu.


Não há altar que cure este abandono,

Nem prece que desfaça o desencanto;

A vida é um outono sem outono,

Onde o silêncio ocupa todo o canto.


Ó exílio do amor ferido, que segredo

Guardas na cinza de um beijo esquecido?

Viver é este caminhar com medo,

Por um jardim de sonho já partido.


Fica a saudade de um corpo, de um instante,

Como um rastro de sol no mar deserto;

Sou, da minha própria vida, o vigilante,

Sempre longe de tudo o que está perto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário