quinta-feira, 19 de março de 2026

Canção do Poço Seco

Canção do Poço Seco
Nas trevas da noite, um rio de prata
Procura o corpo que o punhal não mata.
Sol, lâmpada divina do coração ferido,
Que luziras na carne sem ter sido?

O galope do vento já se cala,
Na oliva escura, onde o silêncio fala.
Ó, Lâmpada do Sol, se tu não vens,
Que mistério nos olhos tu manténs?

A lua acende o seu farol de gelo,
Pois a dor já não tem mais cabelo.
Divina Lâmpada que o peito encerra,
Luz que sangra na raiz da terra.

Se o amor é um touro que me embate,
Em que sombra, meu Sol, tu me mataste?
Fica a canção, na poeira esmagada,

Ó, Coração ferido, alma de nada.


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