sexta-feira, 20 de março de 2026

O anjo negro de petróleo

 a lua de prata no rio geme

e o grito que a noite encerra

nunca amei, apenas esse anjo negro de petróleo

que cavalgava sobre a minha terra


as ciganas de bronze choram

com agulhas no coração de ferro

por esse anjo de sombra e fumo

que roubou a minha canção sem cor


amarelo que te quero cinza

nos olivais da manhã

onde o anjo de asas escuras

bebia a seiva da bela romã


deixem me dormir com a morte

numa cama de jasmim de enfeite

que o anjo negro de petróleo 

já não cuida mais de mim com seus olhos verdes.

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