O Retorno do Exilado
Sobre as pedras do templo esquecido,
Onde o orgulho da pátria se fia,
Caminha o destino, em silêncio vestido,
Capa de veludo em pleno meio-dia.
Sob o sol que não aquece o que é puro,
Onde a antiga linhagem se esvai,
O tempo levanta o seu gélido muro,
E o silêncio dos deuses a neve cai.
Que importa a glória que o mundo consome,
Se a terra é de prata e o céu é de aço?
Basta o silêncio que guarda o meu nome,
E a brancura que guia o meu passo.
Ó lírio de ferro, de gelo e de glória,
Em teu manto de frio o meu peito se atrai;
Pois morre o desejo e renasce a memória,
Enquanto, infinita, a neve cai.
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