A Fresta no Firmamento
Lá onde as águias do espírito voam,
Em torres de marfim e de frio cristal,
As vozes dos anjos no vácuo ressoam
Buscando a pureza do bem e do mal.
Mas toda a estrutura de glória e de luz,
Que o tempo lapida com mãos de metal,
Esconde a ferida que o sonho produz:
O buraquinho do elevado idealismo do amor.
Por essa pequena e terrível fresta,
Escorre o veneno da nossa verdade;
Pois nada no céu ou na terra nos resta,
Senão o que morre na própria vontade.
A escada de Jacob se perde no escuro,
E o coração cede ao peso do chão;
Pois não há castelo, por mais alto e muro,
Que escape ao vazio da própria ilusão.
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