O Exílio
As pessoas perderam a paixão, esse raio mudo,
E o espírito livre que via na natureza,
Agora são apenas sombras contra o muro,
Esquecendo que o peito é uma floresta acesa.
Já não escutam o clamor das crinas do vento,
Nem o galope de espuma que o mar desata;
Morrem por dentro em um deserto de cimento,
Enquanto a terra, em segredo, se dilata.
Onde estão os homens que eram rios profundos?
Aqueles que tinham o sol sob a pele nua?
Hoje são apenas restos, ecos errabundos,
Longe da raiz que na sombra flutua.
Voltai ao abraço do musgo e da corrente,
Onde a vida é um grito de luz e de espanto;
Pois só na terra o coração se faz semente,
E a liberdade rompe o seu negro manto.
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