quinta-feira, 19 de março de 2026

O Exílio

 O Exílio 

As pessoas perderam a paixão, esse raio mudo,

E o espírito livre que via na natureza,

Agora são apenas sombras contra o muro,

Esquecendo que o peito é uma floresta acesa.


Já não escutam o clamor das crinas do vento,

Nem o galope de espuma que o mar desata;

Morrem por dentro em um deserto de cimento,

Enquanto a terra, em segredo, se dilata.


Onde estão os homens que eram rios profundos?

Aqueles que tinham o sol sob a pele nua?

Hoje são apenas restos, ecos errabundos,

Longe da raiz que na sombra flutua.


Voltai ao abraço do musgo e da corrente,

Onde a vida é um grito de luz e de espanto;

Pois só na terra o coração se faz semente,

E a liberdade rompe o seu negro manto.

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