A Sentinela
Onde o vento fustiga a charneca deserta,
E o tempo desfaz o que a mão construiu,
A alma desperta, de sombras coberta,
No reino de gelo que o sangue sentiu.
Ergue-se, imensa, no topo do monte,
Uma escultura de granito e de dor;
Bebendo o silêncio da antiga fonte,
Despida de medo, de paz e de cor.
Bate o martelo na carne do mundo,
Mas resta o orgulho que a terra não solta;
Pois no coração celta, imenso e profundo,
A fúria dos deuses ainda dá volta.
Que os mortais passem, em vã correria,
Pois sob o luar, num eterno noivado,
O peso da pedra impõe sua guia
Sobre o destino que foi lapidado.
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