quinta-feira, 19 de março de 2026

A Sentinela

 A Sentinela 

Onde o vento fustiga a charneca deserta,

E o tempo desfaz o que a mão construiu,

A alma desperta, de sombras coberta,

No reino de gelo que o sangue sentiu.


Ergue-se, imensa, no topo do monte,

Uma escultura de granito e de dor;

Bebendo o silêncio da antiga fonte,

Despida de medo, de paz e de cor.


Bate o martelo na carne do mundo,

Mas resta o orgulho que a terra não solta;

Pois no coração celta, imenso e profundo,

A fúria dos deuses ainda dá volta.


Que os mortais passem, em vã correria,

Pois sob o luar, num eterno noivado,

O peso da pedra impõe sua guia

Sobre o destino que foi lapidado.



Nenhum comentário:

Postar um comentário