na margem do que somos e não dizemos perdemos
as horas num cego caminhar a poesia muitas vezes
explica o que não conseguimos explicar nem expressar
neste labirinto onde as palavras nos prendem
o silêncio é a nossa maior casa
e as frases que nos sobram são apenas muros
tentamos dar nome ao que nos vaza
neste tempo que nos torna inseguros
quem sabe se a vida não é apenas isto
um ajuste de contas com o que ficou por ser
um rascunho de um livro que não foi visto
à espera de um olhar que o faça florescer
olhamos o mundo com olhos de criança
que tenta entender a gramática do céu
resta-nos esta teimosa esperança
de encontrar a verdade por trás do véu
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