sexta-feira, 20 de março de 2026

na margem do que somos e não dizemos perdemos

 na margem do que somos e não dizemos perdemos

 as horas num cego caminhar a poesia muitas vezes

 explica o que não conseguimos explicar nem expressar

neste labirinto onde as palavras nos prendem


o silêncio é a nossa maior casa

e as frases que nos sobram são apenas muros

tentamos dar nome ao que nos vaza

neste tempo que nos torna inseguros


quem sabe se a vida não é apenas isto

um ajuste de contas com o que ficou por ser

um rascunho de um livro que não foi visto

à espera de um olhar que o faça florescer


olhamos o mundo com olhos de criança

que tenta entender a gramática do céu

resta-nos esta teimosa esperança

de encontrar a verdade por trás do véu

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