O Despertar de Apolo
Lá do píncaro de gelo, onde o silêncio impera,
Onde a águia do pensamento traça o seu raio,
Desce a vontade que o mundo não gera:
Que o dia frio fleche o coração prosaico.
Que a flecha de prata, de um sol sem piedade,
Rasgue o véu da rotina e do falso ensaio;
Pois só na ferida se encontra a verdade,
Longe do lodo e do humano desmaio.
Ergue-te, ó Espírito, da terra dormente,
Antes que a noite desça o seu luto;
Sê como o cume, solitário e potente,
Colhendo das estrelas o dourado fruto.
Não temas o frio que a carne consome,
Nem o abismo que guarda o eterno desmaio;
Pois Deus só conhece quem grava o seu nome
Onde o dia frio fleche o coração prosaico.
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