O Sobrado Azul
Manaus fervia. O suor colava a camisa no lombo. Menino de catorze anos, mãos grossas de carregar sacola. No sobrado azul da Andradas, o segredo.
Dona Elisa. Vestido de seda, voz de mel e fumaça. Falava de Belém, de rios, de liberdade. O moleque ouvia, o bicho acordava embaixo da calça.
Entraram. Cheiro de jasmim e cera. No sofá de veludo, o bote: Elisa puxou-o pelo pescoço. Beijo úmido, língua de fogo. O pequeno se despiu, vergonhoso de suas costelas. Ela soltou o pano. Seios de manga madura. Ele mordeu com fome de bicho.
A mão desceu. O susto. No meio das pernas, não o vazio, mas o cano. Sólido. Pulsante como enchente de rio.
O menino travou. O olhar subiu, trêmulo.
— Continua — sibilou ela. Ou ele.
E o menino foi. Boca, língua, delírio. Gozou no susto, sem mão, alma saindo pelo dente. Elisa limpou-o com lenço fino. Sorriso de quem caça.
— Próxima vez tem mais.
O moleque voou para a rua. Na boca, o gosto do segredo. No corpo, a marca do sobrado.
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