O vento, esse bicho quente, fustigava o café. Gali avançava com o fogo ruivo da cabeça humilhado pelo prateado da lua, os grilos serrando o silêncio com uma insistência de febre.
E de súbito, o vulto: N, um tronco de ébano fincado na terra úmida, a pele reluzindo o suor de uma linhagem inteira de esforços. Os olhos se travaram, um embate de bicho. Gali sentiu o sangue galopar na nuca, um calor que não vinha do clima, mas do centro da terra.
N não pediu permissão; ele impôs. Abriu a braga, expôs a montanha de carne escura, latejante, uma afronta contra a castidade do cafezal. "Olha," rosnou, a voz saindo das entranhas, "tá duro." Puxou a mão de Gali para o centro do abismo, para aquela quentura de bicho vivo. "Faz... e depois chupa."
Gali secou por dentro. Os dedos, trêmulos, agarraram o membro grosso, sentindo a vida pulsar ali, bruta. Ajoelhou-se na terra, entre as raízes, e a boca encontrou a ponta, o gosto de sal e de urgência invadindo a garganta. N gemia um som de bicho acuado, as mãos enterradas nos cabelos de Gali, empurrando, exigindo a alma em troca do prazer. O gozo veio farto, um jorro branco marcando a língua, o selo de um pacto que a terra engoliria.
Depois, o silêncio de novo. N ergueu-o pelo queixo, o olhar sendo uma sentença: "Isso morre aqui." Gali assentiu, o peito ainda em brasa. A noite não passava; ela apenas pesava sobre eles.
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