quarta-feira, 4 de março de 2026

A Descoberta no Sobrado Azul

O calor de Manaus grudava na pele como um segundo corpo. Eu, um menino de quatorze anos com mãos calejadas de carregar sacolas do mercado, nunca imaginaria que naquela tarde úmida de dezembro, o sobrado azul da Rua dos Andradas guardaria um segredo que me faria perder o fôlego—e muito mais.  


Dona Elisa—assim a chamavam no bairro—não era como as outras freguesas. Usava vestidos que deslizavam sobre as curvas como água, e quando falava, sua voz tinha um timbre que oscilava entre o doce e o rouco, como se fosse feita de mel e fumaça. Naquele dia, enquanto eu a seguia com as compras, ela me contou sobre viagens a Belém, noites em barcos à deriva no rio, e algo que chamou de "liberdade". Eu não entendia direito, mas meu corpo, traidor, já respondia por mim.  


A casa dela cheirava a jasmim e madeira encerada. Quando me pediu para sentar no sofá de veludo, obedeci como um cão faminto. Seus dedos me puxaram pelo pescoço, e seu beijo—quente, molhado—me fez esquecer que existia um mundo lá fora. Me despi com pressa, envergonhado do meu corpo magricela, enquanto ela soltava o vestido. Seus seios eram perfeitos, redondos como mangas maduras, e eu afundei neles com a mesma ganância com que chupava frutas no quintal de casa.  


Foi quando minha mão escorregou para baixo que o mundo desabou. Não era o que eu esperava. Era algo sólido, pulsante, que crescia sob meu toque como um rio enchendo na cheia. Olhei para cima, assustado, mas ela—ele—não parou. Apertaou minha nuca e sussurrou: "Continua".  


E continuei. Com os lábios, com a língua, com um desejo que doía. Gozei sem tocar em mim mesmo, vergonha e êxtase misturados na boca. Quando acabou, Dona Elisa—ele—me limpou com um lenço e sorriu como quem já sabia que eu voltaria.  


"Da próxima vez", disse, "te ensino mais".  


E eu, menino que era, só consegui balbuciar um *"sim"* antes de fugir para casa, com o gosto do segredo ainda na língua.  


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