Chuva no vidro. O quarto no escuro.
A porta abriu: o clique do trinco. Ela surgiu na sombra. Alta, as pernas infinitas sob a seda negra. O salto agulha picotando o assoalho.
— Boa noite, moço.
O cheiro era de incenso barato e suor doce. Ela não esperou. Ajoelhou-se na madeira fria, o vestido subindo até a coxa de ébano. Os dedos ágeis, de unhas pintadas, abriram o zíper.
A boca era quente, o toque elétrico. Júlio fechou os olhos. O ritmo era de máquina: a língua, os dentes, a sucção precisa. O gosto de metal e desejo.
Um gemido rouco. O jato quente na garganta dela.
Ela limpou o canto da boca com o polegar. Levantou-se, ajeitou a calcinha, esticou o vestido. Um sorriso de quem sabe o preço.
— Até a próxima, gatinho.
A porta bateu. No vidro, a chuva virou garoa. No quarto, o cheiro dela e o vazio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário