quarta-feira, 4 de março de 2026

O Encontro


Chuva no vidro. O quarto no escuro.

A porta abriu: o clique do trinco. Ela surgiu na sombra. Alta, as pernas infinitas sob a seda negra. O salto agulha picotando o assoalho.

— Boa noite, moço.

O cheiro era de incenso barato e suor doce. Ela não esperou. Ajoelhou-se na madeira fria, o vestido subindo até a coxa de ébano. Os dedos ágeis, de unhas pintadas, abriram o zíper.

A boca era quente, o toque elétrico. Júlio fechou os olhos. O ritmo era de máquina: a língua, os dentes, a sucção precisa. O gosto de metal e desejo.

Um gemido rouco. O jato quente na garganta dela.

Ela limpou o canto da boca com o polegar. Levantou-se, ajeitou a calcinha, esticou o vestido. Um sorriso de quem sabe o preço.

— Até a próxima, gatinho.

A porta bateu. No vidro, a chuva virou garoa. No quarto, o cheiro dela e o vazio.

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