A noite não pede licença, ela invade,
Cobre o medo com o manto da insanidade.
Lá fora o céu desaba em fúria e lama,
Enquanto a gente acende a nossa própria chama.
Chove e o mundo insiste em ser careta,
Mas entre o trovão e a luz da fresta,
Seu corpo molhado é o mapa da minha festa.
Vem, mulher, de alma e formas raras,
Atrás daquela árvore onde as sombras são claras.
Onde o segredo é o gosto, o resto é poeira,
Transgressão divina, delícia verdadeira.
Ali eu me ajoelho no altar do seu prazer,
Te chupo e sinto o universo estremecer.
Sem dogma, sem culpa, sem o nó da gravata,
Na selva de pedra, é o nosso desejo que nos resgata.
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