O sol grudava no horizonte como melado de rapadura, e Lucas via aquele vulto se aproximar—corpo de menino e menina, sorriso que sabia mais do que os livros da escola. Era Brenda, cujo nome ele repetia baixinho, como quem aprende uma reza nova.
—Quer? —ela perguntou, a mão já abrindo o zíper da calça. Ele não respondeu, só engoliu seco e se ajoelhou na terra úmida, onde as formigas carregavam migalhas de biscoito.
Era quente, salgado, pulsante—ele descobria um rio e afundava a cara nele. Brenda arqueou as costas, os dedos dele encontrando o ritmo dela, e quando ela gemeu, foi como o vento cortando o cafezal. Ele bebeu até o fim, lambendo os lábios, querendo outra dose.
—Tem mais? —sussurrou, e Brenda riu, puxando-o para entre os pés de café, onde ninguém via.
Ali, ele aprendeu que gozo tinha gosto de café maduro—doce, amargo, e infinito.
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