quarta-feira, 4 de março de 2026

O Aprendizado


O mormaço pesava no terreno baldio. Cheiro de lixo úmido e terra batida. Júlio viu a silhueta encostada na mangueira: Iasmin. O salto agulha enterrava-se no chão podre. Ela segurava o cigarro entre dedos de manicure impecável, a fumaça subindo reta no ar sem vento.


— Vem cá, gatinho — disse ela. A voz era um comando, não um convite. Lábios cor de sangue pisado.


Júlio sentiu o estômago encolher. Tinha dezessete anos e as pernas de gelatina. Aproximou-se como quem vai para o abate. Iasmin não perdeu tempo com preliminares de colégio; agarrou-o pelo cinto e forçou-o para baixo. O joelho dele encontrou a lama.


— Tá com medo de quê?


Ela guiou a mão do garoto para cima. O vestido era justo, sintético, barato. Sob a renda, a realidade se impunha: o pau rígido, latejante, a secreção viscosa sujando a seda da calcinha rosa deslocada para o lado.


O garoto hesitou. O instinto lutava contra o pavor. Depois, a língua. O gosto era metálico, salgado, humano. Iasmin arqueou o corpo, as unhas cravadas no couro cabeludo dele, ditando a cadência. Júlio apertou as nádegas dela — carne firme, tensa.


— Isso. Devagar. Olha como eu fico por tua causa.


O quadril dela golpeava o ar. O gemido era curto, seco. Júlio sentiu o tremor nas coxas de Iasmin, um espasmo que subia pelos calcanhares dela.


— Vou gozar. Engole tudo.


O jato quente atingiu o fundo da garganta. Júlio não desviou. Era o batismo. Iasmin soltou um grito abafado contra a casca da árvore, borrando o batom no tronco.


Silêncio. Ela se recompôs com a eficiência de um soldado. Acendeu outro cigarro. As mãos ainda vibravam de leve.


— Amanhã tem mais, garoto. Vê se não atrasa.


Ajustou o vestido, limpou o canto da boca e saiu batendo os saltos em direção ao asfalto. Júlio continuou ali, de joelhos na sujeira, sentindo o gosto amargo e real da vida na língua.

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