Lábios, boca:
o arco tenso de um ideograma de carne.
Eu chupo
a polpa, a fibra, a resistência—
ela, laranja sob o sol elétrico do quarto.
A porta aberta:
mar da alma que transborda o umbral.
Chove muito lá fora,
mas aqui o clima é o colapso do ritmo.
Ela comanda: "engole tudo".
E no vácuo do grito,
engulo o leite—
o sêmen do espírito, o branco absoluto,
o sacramento amargo que nos mantém vivos.
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