A lua banhava o quintal de Kenzaburo com uma luz prateada, quase líquida. Ele estava sentado no degrau da cozinha, fumando um cigarro que já cheirava a cinza, quando viu. Dois vultos se moviam entre as sombras, ritmados, quase dançando. Eram baratas—grandes, lustrosas, antenas tremulantes—entrelaçadas em um acoplamento frenético. Kenzaburo não desviou o olhar. Pelo contrário: sentiu um calor subir por sua barriga, um peso familiar entre as pernas. Lembrou-se então de um desejo antigo, reprimido, que surgira numa tarde abafada de adolescência, quando vira um cavalo no pasto, seu membro imponente pendendo como um bastão de comando. Na época, imaginara uma mulher de lábios carnudos ajoelhada, sugando aquela massa rija com devoção, os olhos lacrimejantes de êxtase.
Agora, diante daquela cena grotesca e bela—as baratas, unidas—a ideia voltou com força. Não era nojo que sentia, mas fascínio. É natural, pensou, a mão deslizando pela calça. O sexo é sagrado para a reprodução, mas o prazer... o prazer é outra liturgia.
Antes do orgasmo, sua mente delirante o levou além: imaginou-se de quatro, as nádegas oferecidas ao mesmo cavalo da memória, a dor e o ardor transformados em algo divino. As baratas terminaram seu ritual e sumiram nas sombras. Kenzaburo ficou lá, ofegante, olhando para o vazio, enquanto a noite engolia seu segredo.
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