O primeiro sinal deveria ter sido o cigarro. Aquele pedido casual, feito com uma voz mais grave do que eu esperava, mas ainda assim suave, melódica.
— Me dá um trago?
Estendi o maço, e quando nossos dedos se tocaram, algo estremeceu no meu estômago. Ela — porque naquele momento ainda era só "ela" pra mim — tinha unhas pintadas de vermelho, mas as juntas eram largas demais para serem de uma mulher.
Sorriu ao perceber meu olhar preso nas suas mãos.
— Tábata, prazer.
O nome saiu como um desafio. E eu, que já tinha aprendido a lição no shopping dois anos antes, decidi brincar de burro.
— Jaime.
Fingi que não via o pomo de Adão sob a pele bronzeada. Fingi que o decote do biquíni não revelava peitos perfeitamente redondos, mas um pouco firmes demais. E quando ela esticou as pernas, eu me concentrei nas coxas torneadas, ignorando a sombra discreta de um volume entre elas.
— Você é linda, sabia? — soltei, deixando a mão escorregar pela sua cintura.
Ela riu, mas os olhos ficaram úmidos.
— Hoje em dia, ninguém me diz isso.
Não perguntei por quê. Em vez disso, peguei o bronzeador que ela estendia e comecei a trabalhar. A pele dela era quente sob meus dedos, e eu alonguei cada movimento, deslizando pelas costas até a borda do biquíni. Quando cheguei perto do cóccix, senti um tremor nela.
— Quer que eu vá mais embaixo? — perguntei, inocente.
Ela virou o rosto, me encarando com um sorriso que não era mais triste.
— Pode ir até onde você quiser, gato.
Foi aí que a máscara caiu. Ou melhor, subiu — junto com o pau dela, pressionado contra a minha perna quando nos beijamos.
A praia estava vazia, mas mesmo assim fomos para as pedras, onde o mar batia com força suficiente para abafar os gemidos. Ela me chamou de "macho" enquanto eu a virava de quatro, mas foram os suspiros no meu ouvido, quase femininos, que me fizeram gozar.
Depois, deitados na areia, ela acendeu outro cigarro.
— Então... você sabia desde o começo?
Sorri, lambendo os lábios salgados.
— Só depois do bronzeador.
Ela soltou uma risada gostosa, jogando a fumaça pro céu.
— Mentiroso.
E talvez eu fosse. Mas naquele momento, com o gosto dela ainda na minha boca, era a melhor mentira que eu já tinha contado.
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