A chuva batia no vidro. Barulho de água, o resto era silêncio. Eu estava na poltrona, as luzes da cidade lá fora pareciam borrões de tinta.
A porta abriu. Nenhum anúncio, apenas o clique da fechadura. Ela surgiu no corredor. Alta, esguia, um vestido de seda escura que não escondia nada. O som dos saltos na madeira era seco. Um metrônomo.
Era negra, a pele retinta brilhando sob a luz fraca da sala. Traços fortes. Não sorriu de imediato; primeiro mediu o terreno. Quando sorriu, foi um cálculo.
— Boa noite — a voz era baixa, áspera. — A noite está boa para companhia.
Não respondi. No estilo dela havia uma confiança de bicho. Aproximou-se exalando um cheiro de especiarias e algo noturno. Tocou meu maxilar com dedos longos. Unhas bem feitas.
— Você pensa demais — murmurou. — Vou apagar esses pensamentos.
Ajoelhou-se. O movimento foi fluido, funcional. A seda do vestido subiu, revelando as pernas longas e o volume sob a calcinha. Meu corpo respondeu antes da minha cabeça. Ela abriu o meu cinto com a destreza de quem conhece o mecanismo.
O primeiro contato da língua foi térmico, elétrico. Ela sabia o que estava fazendo. Não havia hesitação, apenas técnica e vigor. A chuva lá fora virou ruído de fundo. O que importava era a pressão da boca, o ritmo das sucções, a pegada firme nas minhas coxas.
Fechei os olhos. O contraste das peles, o calor úmido, a urgência. O prazer veio como um soco, um espasmo bruto que me deixou sem ar. Gozei na boca dela enquanto a chuva lá fora amansava.
Ela ficou ali por alguns segundos, terminando o serviço. Depois levantou-se. Ajustou o vestido com dois movimentos rápidos. A ordem estava restaurada.
— A noite rendeu — disse ela, com um brilho de triunfo nos olhos.
Fiquei na poltrona, o corpo vazio, a mente limpa. Ela saiu como entrou. Sobrou o cheiro do perfume e o som do chuvisco no vidro. Noite ganha.
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