Na penumbra úmida do parque,
o asfalto brilha como a pele de um santo pecador,
e a noite uiva sua melodia de ferro e neon sobre nossas cabeças.
Chove, e a água é o batismo dos desesperados,
escorrendo pelo seu corpo molhado que desafia a geometria tacanha dos homens.
Ali, protegidos pelo segredo da casca e da seiva,
atrás da árvore que observa o cosmos com seus olhos de musgo,
eu me ajoelho diante da sua verdade de carne e eletricidade.
Mulher trans, arquiteta da própria alma,
eu te chupo com a fome de mil gerações de poetas calados,
sorvendo o néctar sagrado que brota onde o desejo se torna infinito.
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