quarta-feira, 4 de março de 2026

O Trem de Havana



O ar úmido da estação grudava na pele como um segundo corpo quando o cubano de cabelos cacheados e sorriso largo se aproximou do banco onde eu esperava. Quatorze anos, pernas bambas, e aquela voz que já vinha com o cheiro doce de rum barato:  


— Você gosta de chupar pau, gatinho?  


A pergunta era direta, sem rodeios, como um tiro de canhão no meio do sossego. Eu engoli seco, mas não hesitei:  


— Gosto.  


Ele riu, os dentes brancos contrastando com a pele negra, e ajustou o jeans justo na cintura.  


— Meu gozo é bem grosso.  


Curioso, estiquei o pescoço quando ele abriu o zíper.  


— Deixa eu ver... Nossa, que cabeção!  


A carne escura, inchada, pulsando contra o pulso dele. Ele passou o polegar na glande, um fio de lubrificação brilhando no ar da tarde.  


— Ela só gosta de entrar em boquinha que nem a sua. — Os olhos dele me fixaram, pesados, enquanto a mão deslizava lentamente pelo tronco. — Quer essa cobrona na sua boca?  


Não precisei responder. A mão dele me puxou pelo cabelo, e eu já estava de joelhos quando o primeiro jato quente escorreu pela minha garganta. Grossa, mesmo. Salgada. Ele gemeu em espanhol, palavras sujas que eu não entendia, mas o ritmo era claro: agora, devagar, agora de novo.  


Gozo farto, como ele prometera. E eu, engasgando, aprendendo.  

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