Pelos lábios de neon, a boca é um vácuo lindo,
eu chupo a essência cítrica da sua pele,
ela laranja, fruto aceso no centro do quarto,
aberta como a porta batendo para o mar da alma.
Lá fora chove muito, um dilúvio de asfalto e zinco,
enquanto o mundo se afoga, o quarto incendeia,
e ela diz: "engole tudo", com a voz de quem comanda as marés,
e sob a luz crua do agora, engulo o leite — o sêmen da vida,
a comunhão profana dos santos que se beijam no escuro.
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