O céu desaba em zinco e vidro,
um dilúvio que não lava a cidade.
Entre os lençóis de poliéster,
teus lábios são a única terra firme.
Tu, transfigurada em carne e luta,
abre a boca como quem abre a porta,
um mar da alma onde eu naufrago por querer.
Chove muito lá fora; aqui, o clima é de asfixia.
"Engole tudo", você ordena,
voz de navalha e mel sob a lâmpada nua.
Eu chupo a promessa da tua força
e engulo o leite, esse gosto de vida bruta—
meu pequeno sacramento clandestino
enquanto o mundo se afoga em lama.
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