A noite se desdobra em nervos expostos,
sob o teto de zinco onde o tempo estagna.
Chove, e o asfalto espelha o cinza da alma,
enquanto o desejo, esse bicho faminto, caminha.
Atrás da árvore, a sombra é um pacto sujo.
Teu corpo molhado vibra, arquitetura firme,
mulher de contornos que a chuva não apaga,
presença que minha boca, em febre, agora invade.
Eu te chupo ali, entre o musgo e o escuro,
num rito de carne que a cidade ignora.
O segredo pulsa onde a pele se encontra,
e o confessional termina no gosto do agora.
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