quarta-feira, 4 de março de 2026

A noite se desdobra em nervos expostos

A noite se desdobra em nervos expostos,

sob o teto de zinco onde o tempo estagna.

Chove, e o asfalto espelha o cinza da alma,

enquanto o desejo, esse bicho faminto, caminha.


Atrás da árvore, a sombra é um pacto sujo.

Teu corpo molhado vibra, arquitetura firme,

mulher de contornos que a chuva não apaga,

presença que minha boca, em febre, agora invade.


Eu te chupo ali, entre o musgo e o escuro,

num rito de carne que a cidade ignora.

O segredo pulsa onde a pele se encontra,

e o confessional termina no gosto do agora.

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