O sol se punha, tingindo o céu com a cor do ouro velho, quando Júlio compreendeu que a vida não é feita de horas, mas de momentos em que o Universo conspira a nosso favor. Sob a mangueira, que estendia seus galhos como mãos em prece, Iasmin esperava. Ela não era apenas uma mulher; era um sinal no caminho do jovem de dezessete anos. Seus saltos altos afundavam na terra, conectando-a com as energias ancestrais do solo.
— Vem cá, gatinho — disse ela, e sua voz trazia a sabedoria de quem já cruzou muitos desertos.
Júlio sentiu o medo, mas sabia que o medo é apenas o obstáculo que a Vida coloca diante daqueles que estão prestes a descobrir sua Lenda Pessoal. Quando ela o puxou pelo cinto, ele se ajoelhou. Naquela terra úmida, ele entendeu que para subir ao céu, às vezes é preciso tocar o chão.
O vestido subiu, revelando a calcinha rosa e a verdade nua de Iasmin. O pau duro, brilhando com o pré-gozo, era o cetro de um rito de passagem. Não havia pecado ali, apenas o fluxo da energia vital que move o sol e as outras estrelas. "Tá com medo?", ela sussurrou, e Júlio soube que a resposta estava na entrega.
O primeiro toque foi um aprendizado. A língua de Júlio encontrou a cabeça latejante, e o gosto salgado era o sabor da própria vida, amarga e doce ao mesmo tempo. Enquanto ele sugava, sentindo as nádegas duras da travesti sob seus dedos, Iasmin arqueava as costas, como se estivesse em comunhão com o invisível. "Isso... devagar", ela ensinava, pois a pressa é o inimigo dos que buscam a maestria.
O jorro quente que inundou sua garganta foi o batismo de uma nova consciência. Iasmin gritou, e seu batom vinho marcou o tronco da árvore como um selo sagrado. Quando o silêncio retornou, ela acendeu um cigarro com mãos trêmulas — o tremor de quem acabou de tocar a Alma do Mundo.
— Amanhã te ensino mais — prometeu ela, com o olhar de quem conhece os mistérios.
Ela caminhou até a esquina e desapareceu, mas Júlio permaneceu ali. De joelhos, com o gosto dela ainda na língua, ele sabia que o menino que chegou àquele terreno baldio não era o mesmo homem que agora se levantava.
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