terça-feira, 19 de maio de 2026

O Sorriso das Trevas



No vácuo negro da penumbra fria,

Onde a matéria cega se condensa,

A mão de Mel — sutil, veloz, suspensa —

Buscou a minha carne que tremia.


Tateou no escuro a humana anatomia,

O espécime de nervo e de desejo,

Quebrando o gelo com o calor do ensejo,

Naquela oculta e tátil simetria.


E quando a luz do espaço se fez rara,

Um brilho fosforescente em sua cara

Rompeu a treva que o meu peito oprime:


Sorriu-me Mel, com a força que descara

A própria vida que na sombra para,

Bela e herética, acima de qualquer crime!

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