No vácuo negro da penumbra fria,
Onde a matéria cega se condensa,
A mão de Mel — sutil, veloz, suspensa —
Buscou a minha carne que tremia.
Tateou no escuro a humana anatomia,
O espécime de nervo e de desejo,
Quebrando o gelo com o calor do ensejo,
Naquela oculta e tátil simetria.
E quando a luz do espaço se fez rara,
Um brilho fosforescente em sua cara
Rompeu a treva que o meu peito oprime:
Sorriu-me Mel, com a força que descara
A própria vida que na sombra para,
Bela e herética, acima de qualquer crime!
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