Nas bocas da Noite, em prece purpurina,
Dezenove invernos de uma carne em flor,
Tragam o espasmo, a Essência sibilina,
No altar da Língua, em místico amargor.
Duas deusas trans, na glória diamantina,
Vertem o fluido do supremo Amor,
Lácteo segredo que na espádua inclina,
Simbólico licor de um brando horror.
Vozes veladas, trêmulos gemidos,
Na taça hermafrodita dos sentidos
O espasmo ferve, rutilante e mudo...
E a Alma se dissolve em fumo e espuma,
Enquanto a Gozada, em brancura e bruma,
Sacia a Virgem que devora o Tudo.
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