terça-feira, 19 de maio de 2026

Espasmos de Alvura


Nas bocas da Noite, em prece purpurina,

Dezenove invernos de uma carne em flor,

Tragam o espasmo, a Essência sibilina,

No altar da Língua, em místico amargor.


Duas deusas trans, na glória diamantina,

Vertem o fluido do supremo Amor,

Lácteo segredo que na espádua inclina,

Simbólico licor de um brando horror.


Vozes veladas, trêmulos gemidos,

Na taça hermafrodita dos sentidos

O espasmo ferve, rutilante e mudo...


E a Alma se dissolve em fumo e espuma,

Enquanto a Gozada, em brancura e bruma,

Sacia a Virgem que devora o Tudo.

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