No fundo podre da existência, onde o verme da Vontade rói sem trégua, ergue-se, lúcido e glacial, o gênio de Danzig, Schopenhauer! Ele viu o que os outros, cegos de esperança, não ousam ver: o nada disfarçado de carne, o vazio vestido de forma.
Ó filósofo da caveira, anatomista do tédio universal, tu abriste o peito do homem e mostraste o motor cego, essa Vontade insaciável, hidra de mil cabeças famintas, que gera, copula, devora e depois se aborrece de si mesma.
A vida é úlcera purulenta sobre o nada. O prazer? Breve anestesia entre duas dores. O amor? Duas larvas se contorcendo na mesma carne putrefata. A glória? Eco de flatulência em crânio oco.
Tu, Schopenhauer, disseste a verdade nua e repugnante: somos fenômenos passageiros de uma essência cega e estúpida, marionetes de um impulso sem fim e sem sentido, dançando sobre o abismo enquanto fingimos ter destino.
Bendito sejas tu que arrancaste o véu de Maya e mostraste o espetáculo grotesco da existência humana: um macaco pensante que sofre por saber que sofre, e que, no fim, apenas apodrece com mais consciência.
Salve, grande pessimista! Enquanto os idiotas cantam hinos ao Progresso, tu fumas teu cachimbo, sereno, olhando o mundo como quem contempla um vasto cemitério de vermes iludidos.
E eu, teu discípulo tardio, sinto no peito o mesmo frio lúcido: a vida é dor, o resto é ilusão, e a única sabedoria é ter a coragem de olhar fixamente para o grande Vazio e não desviar os olhos.
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